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Hamilton de Holanda e Cincado deixam público de boca aberta

22.10.08 | Comente lá embaixo

Eu mostardo, mas não falho.

Grupo Cincado
Grupo Cincado

Há tempos entrevistamos Hamilton de Holanda e o pessoal do Grupo Cincado, que se apresentaram no dia 4 de outubro, em Sorocaba, fazendo parte do projeto ZF Arte & Cultura, com a produção da MdA International.

Hamilton de Holanda mostrou altíssima sintonia com o Grupo Cincado, de Sorocaba, formado por Guilherme Fanti (violão, guitarra e cavaquinho), Paulo Leme (piano e acordeão), João Paulo Barbosa (flauta e saxofone), Filipe Maróstica (baixo) e pelo mais novo baterista do grupo, Tiago “Rato” Mecatti. Com o teatro lotado e tanta energia boa circulando, o público aplaudiu entusiasmado cada solo executado, além de reconhecer que a cidade tem talentos “tipo exportação”. O próprio violonista e bandolinista, Hamilton de Holanda, fez questão de reforçar, com microfone empunhado, que Sorocaba precisa se orgulhar do Grupo Cincado, relembrando ainda o sucesso do Trio Curupira, também daqui.

Foram, aproximadamente, 2 horas de show ininterrupto, exceto pelos retoques na afinação dos instrumentos. Após a apresentação, o novo cd de Hamilton de Holanda estava à venda em duas versões: a convencional, com caixinha e encarte, a R$ 10 e a, digamos, compacta, com embalagem  em papel a R$ 5 cada. Segundo Hamilton, esta foi a saída para garantir que as pessoas tenham acesso à música a um baixo custo. “Resolvi piratear meu próprio cd”, disse o músico e a platéia caiu no riso.

Confira a entrevista exclusiva com Hamilton de Holanda e o Grupo Cincado, representado por Paulo Leme e Guilherme Fanti.

Hamilton de Holanda

Hamilton de HolandaTC - A escolha dos músicos foi uma coisa muito complicada?
HH - Eu sei que essa região aqui, Sorocaba, Tatuí, Araraquara tem músicos muito bons. O Trio Curupira, que mora aqui… Eu vim de peito aberto, sem medo, sabendo que não ia ter surpresa desagradável, e saí com a expectativa um pouquinho mais alta.

TC- As expectativas foram superadas?
HH - Um pouquinho mais do que eu esperava.

TC - E como foi o ensaio à tarde?
HH - Nem precisava de ensaio! Se a gente tocasse direto no show, estava tudo certo.

TC - O Grupo Cincado é hoje um grupo revelação, não só em Sorocaba, mas na região também. Como você avalia o desempenho do grupo hoje? Eles estão em pé de igualdade com o pessoal de fora daqui do interior?
HH - Eu acho que eles têm mesmo que tocar em qualquer lugar do Brasil, até fora também. Agora eles são novos e vão comer grama, no bom sentido, de pegar experiência. Mas o nível musical e o nível de concentração, de dedicação é muito alto. Vê-se que a música é muito bem feita, muito bem preparada, e eles querem mostrar um trabalho bonito para o público. Acho que Sorocaba tem que sentir orgulho disso.

TC - Você passou sua infância tendo contato com instrumentos, desde brinquedos musicais e até tocou contrabaixo em banda de Rock. De repente, o bandolim. Até algum tempo atrás, não era um instrumento popular, nem muito procurado pelos músicos. Como é ser, hoje, um dos músicos principais na difusão do bandolim como um instrumento popular? Porque até guitarristas estão procurando tocar o bandolim para ser um multiinstrumentista…
HH - Eu acho tudo muito natural, um processo muito natural. Eu tive a sorte de nascer numa família musical, meu pai, meu avó eram músicos. Aprendi a tocar antes de ler e escrever. A música e o bandolim para mim sempre foram igual comer, brincar, respirar… Nunca me toquei do que, realmente, era importante para mim. Depois de 18, 19 anos que a gente começa a ver a vida exatamente como ela é mesmo, aí eu percebi que o bandolim era importante, e aí já era tarde, não tinha a opção de voltar atrás. Naturalmente, acabou virando minha profissão. Pela indicação que eu tenho, acho que é natural isso acontecer e quero realmente sempre contribuir dessa maneira, compondo, criando uma técnica diferente de tocar e ajudar no bandolim pra que seja o mais conhecido, o mais tocado! Acho que faz parte da minha missão aqui.

TC - Com o lançamento do CD com seu quinteto, você já tem uma agenda de shows prevista?
HH - A gente lançou o disco em maio, estamos fazendo shows direto.

TC - E essa história de piratear o próprio CD?
HH - Na verdade, isso tem um significado. A gente fez um CD mais barato, que as pessoas podem comprar, é para quem procura arte. Um CD bem acessível com o qual a gente também ganha, porque investimos muito. Quer dizer, tem o lado romântico e musical, mas tem o lado empresarial - que é o que eu faço também. É uma maneira de eu repor tudo o que é investido, ficando bom para os dois lados, porque vão comprar e vai ter retorno pra gente também. Pra ser um sucesso, todos os lugares que tem show eu falo sobre piratear meu próprio CD, e forma fila com pessoal querendo comprar! Eu sei que tem gente que já colocou no site para baixar, vão achar de graça também - o que já virou uma desgraça. Bom, aí o sujeito chega com uma nota de vinte, por exemplo, e leva quatro CDs para presentear. Então é a fórmula que eu encontrei de driblar essa crise.

Grupo Cincado

Grupo CincadoTC - Como foi rearranjar as músicas, houve esse trabalho com o Hamilton ou foi feito a distância? Vocês conseguiram se falar algum tempo antes de chegar ao show?
GC - Na verdade, ele mandou as músicas por MP3 e as partituras também, e a gente foi tocando, ensaiando… Nasceram umas mudanças, uns arranjos, mas tudo dentro do que ele passou. Depois, ensaiamos hoje e ele foi aprovando o que estava legal e o que não estava.

TC - Como foi essa tarde de ensaio com ele? Deu tempo de conversarem sobre outras coisas, como por exemplo, a carreira do Cincado, ou vocês só se ativeram ao ensaio para o show?
GC - Desde ontem a gente já esta conversando, trocamos e-mails durante esses dias. Ele é um cara muito bacana e ficou um clima aqui muito “do bem”. Ele foi super atencioso.

TC - Como foi vocês integraram ao grupo um novo baterista tão rapidamente? Já que a saída do Banha não estava no script, tiveram que integrar o Rato em tão pouco tempo e ainda com um show tão importante para a carreira do Cincado, que está decolando agora…
GC - O Rato já tem um entrosamento grande com a gente, já toca com a gente há algum tempo, só faltava a gente ensaiar junto. Ensaiamos bastante e tivemos duas semanas para fazer isso que o público assistiu hoje!

TC - Já que, infelizmente, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura - LINC não aprovou o projeto do CD de vocês, quais são os próximos passos do Grupo Cincado?
GC - Gravar o CD de qualquer jeito. A LINC era um do meios que a gente estava pensando em gravar, mas agora vamos gravar por nossa conta mesmo, e também tentar fazer o material de divulgação, novo site, apresentações… Vamos trabalhar bastante.

Texto e entrevista: Lívia Gusmão
Transcrição: Virginia Diegues
Fotos: Teia Cultural

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