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Caiu Na Teia, Lívia Gusmão, Música

Levanta, sacode e Tira Poeira para “cincar”!

24.06.08 | Comente lá embaixo

Tira Poeira por Pedro H. Negrão

Mais um Metso Cultural em Sorocaba e eu já estou ficando maluca com esse tal de fazer sol depois de tanto frio e garoa. Será que São Pedro tá ajeitando um heavy metal do Senhor no Campolim? Bom, vamos ao que interessa de fato. O quinteto Tira Poeira realmente merece ser “amadrinhado” por Maria Bethânia.

Uma maria-fumaça adentrou o parque do Campolim quando “Trenzinho Caipira” (Villa-Lobos) foi executado numa releitura que transformou a obra em hino. Depois, “Chega de Saudade” (Tom e Vinícius) num coro tímido do público, que foi se achegando de mansinho, até cair num choro-canção gostoso e muito bem levado. Quem não viu a interpretação de Elis em “Atrás da Porta” (Francis Hime e Chico Buarque), quando ela chora e canta, se emociona…? Pois bem, Tira Poeira arrancou um lamento do sopro, sofrido, choroso, lindo de fato.

Esse diálogo entre os músicos seguiu do começo ao fim, e os aficcionados por apresentações culturais que dão status não foram. Sorte de quem estava lá, pois pôde esticar - um pouco - as pernas e se espreguiçar na grama. Azar de quem não viu.

Tira Poeira apresentou as músicas do segundo cd “Feijoada Completa”, que estava à venda no local, ao lado do primeiro álbum “Biscoito Fino”.

A Teia Cultural entrevistou Henry Lentino (bandolim), numa conversa curta, mas bastante descontraída!

TC - Como aconteceu a formação do Grupo?E quanto tempo levou para gravarem o primeiro CD?
Lívia Gusmão e Henry Lentino por Virginia DieguesTP - Eu cheguei, em 1999, no Rio de Janeiro, e senti muita vontade de formar um grupo, aí formei um grupo para um trabalho. A primeira formação era um outro pessoal, mas a formação que deu certo e que a gente conseguiu consolidar um trabalho foi essa atual. Com esse grupo, a gente foi tocar na Lapa, no Rio de Janeiro. Então, o Paulo Sérgio Campos, clarinetista muito famoso, muito conhecido, muito bom - pai do Caio -, falou “Por que vocês não gravam um disco com as músicas que vocês tocam na roda?”. Ele botou essa “pilha” e a gente concordou em fazer um disco. Apresentamos um trabalho para a Biscoito Fino - isso mais ou menos uns 5 ou 6 anos atrás, já com essa formação -, então começou a dar certo. Fizemos uns trabalhos com a Maria Bethânia, ela ouviu nosso disco; vários artistas ouviram; fizemos uma temporada no Rio de Janeiro. Participaram, com a gente, Lenini, Bete Carvalho, Zélia Duncan, enfim vários convidados. Começamos a ficar conhecidos; participamos do Prêmio Tim; para o Prêmio Vivaldi, a gente foi indicado. Esse segundo disco é recente, gravamos no ano passado e faz dois ou três meses que estamos lançando. Está fresquinho!
O nome do grupo, na verdade, veio de um telefonema. Sou gaúcho - moro há 10 anos no Rio de Janeiro - e foi uma coisa bem espontânea, conversando com meu pai sobre como nome de choro é uma coisa bem irônica. Perguntei a ele o que achava de “Levanta Poeira”, “Tira Poeira”; ele achou “Tira Poeira” legal, e essa formação já têm uns seis anos.

TC - Li em uma entrevista que vocês não acreditam no conceito de música “tradicional” e “não tradicional”. Isso tem a ver com a tendência de universalização dos ritmos?
TP - Eu acho que, para começar, música é música; não interessa onde for, é uma linguagem que independente do idioma. Se você tocar é o mesmo idioma, os músicos se entendem em qualquer lugar do mundo, de qualquer parte. A gente começou a fazer essas coisas com muito respeito à tradição e ouvindo muito o choro raiz, bandolim, época de ouro, Pixinguinha, Galo Preto e outro grupos que vieram depois; até os grupos que começaram a transformar algumas coisas como Novos Baianos, A Cor do Som, Nó Em Pingo D’Água, Camerata Carioca… Então todo mundo escutou e estudou muito a música, claro, cada um com suas características: Sérgio, música cubana; Caio, jazz; Samuel, jazz, música flamenca, choro, samba, bossa-nova; também com a influência de Bob Marley, Jimi Hendrix, John Coltrane; música erudita, Chopin, Bach… Com toda essa bagagem, essa influência, você acaba, mesmo inconscientemente, influenciando sua música na hora em que vai compôr ou fazer um arranjo.

Henry Lentino por Virginia DieguesTC - Maria Bethânia os considera “puro rock”. Como se explica esse rótulo? Tem a ver com a universalização?
TP - Acho que ela viveu um movimento muito forte na música brasileira, aquela coisa do tropicalismo, Novos Baianos, enfim. E com atitude. Acho que o rock que ela quer dizer não é só o som, mas a atitude do palco, atitude do tesão, da paixão, do orgasmo (risos).

TC - Foi um duelo ou um diálogo que rolou no palco?
TP - Eu prefiro a palavra diálogo, porque é o bate-papo que houve, uma energia positiva. Acho que música não tem competição, não tem “o melhor” porque sempre vai ter um melhor que você, e o grande lance é você respeitar, ouvir isso e se influenciar, por que não, né?

Tira Poeira por Pedro H. Negrão

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