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Armando Coló Neto

O Universo em decadência

24.10.08 | Comente lá embaixo

O universo em decadência. Pessoas não mais conseguem segurar dentro de si suas próprias mazelas características. Começam a ver nos outros os seus próprios e piores defeitos. Não respeitam e deixam de gostar e admirar o colega, com medo de deixar tais coisas perante sua própria pessoa. Caem no amargo jogo da projeção inventiva sobre o próximo. O universo dá seus primeiros sinais de instabilidade e tropeça nestas demonstrações vãs de humor e crítica invertidas. Olhares maldosos e cerrados se intervalam com os risos forçados que seguem uma brincadeira muito pouco inocente e sem muita graça. É a chance de ver o próximo sofrer o que no amargo de seus quartos, a sós, sofrem. As bochechas se incham com tanta energia incontida e mal direcionada que vaza pela boca de maneira ofensiva, desajustada e, desafortunadamente, inconsciente. O universo rebola.

Os momentos propícios para as extravagâncias ridículas sobre sua própria insatisfação consigo mesmo tornam-se mais freqüentes e eloqüentes. Disformes e sem pensamento. Vão a torto direito diretamente no próximo, como raio relâmpago. O universo já não mais suporta as broncas eletromagnéticas desses seres distantes de si. O universo.

Dentro da ordem natural das coisas, já vimos muitos padecerem de doenças incuráveis, cânceres no estômago, na garganta ou no cú. O universo diz que nada pode fazer contra esses infortúnios que acometem órgãos em má utilização, pois são os próprios responsáveis pela sua saúde. Deus, coitado, já tentou de tudo, mas não consegue resolver a questão e apenas alerta: cuide bem de sua alma, ela é a encarregada mor da sua saúde. E não é que o universo e Deus, talvez sendo a mesma coisa, falam em consonância?

Essas pessoas, como essa aqui ao lado, ou o outro a frente, estão cuidando mal de sua saúde, mental e física. Torturam-se na solidão e convertem o sofrimento em projeções pouco criativas e escarros. O universo declina.

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