No último domingo, assisti ao excelente “A Origem”, com Leonardo Di Caprio (que está cada vez melhor como ator) e uma ótima atuação da Helen Page. E paguei para ver o filme pois sabia que seria beneficiado com mais um ótimo roteiro e a demonstração de que os niilistas estrangeiros, em matéria de estudos e pesquisas para seus filmes, estão dando um baile nos (pseudo) espíritas brasileiros. Calma que chegaremos no tema central da coluna, que é Cultura.
“A Origem” é um repositório de referências desconhecidas do brasileiro comum.
Há horas em que não importa
de onde uma folha partiu
ou onde ela foi parar.
No tempo do seu voo,
tanta coisa acontece que,
ao chegar em seu novo destino,
ninguém reconhece aquela parte
que se descolou do tronco.
Cabelos lambidos,
Olhos de vaca,
Tromba de mamute.
Mulher de feia,
Coisa decadente; [...]
Abre-me as portas do mundo.
Mostra-me o que há de mais belo em sua estática paisagem.
Dá-me condições de fugir da sala e viajar
Em direção ao horizonte quadrado que me dá.
Sonhos, amores e paixões.
Tudo pela minha mente escapa
E voa pelas tuas grades, dedos de ferro encravados em meus olhos.
E, ao escancarar-te, desapareço de dentro de mim;
E me misturo ao teu azul de tela.
“O futebol está no DNA do brasileiro”; “Ele toca bem desse jeito porque já tem o dom” – e tantas outras maluquices que inventaram por aí. Afinal, de onde vem esse tal desse “dom”? Esse talento mágico cuja origem, para muitos, deve permanecer desejavelmente inexplicada – porque o “dom divino” nos dispensa da obrigação de procurar a sua fonte – é um grande castelo de areia onde se apoiam as esperanças vãs de sair da miséria ou do anonimato para o estrelato sem esforço – embora cheio de recompensas.
Soubéssemos de tantas coisas quanto as que agora de antemão sabemos, a passagem de uma etapa da vida à outra teria sido mais calma talvez; teríamos permanecido na trilha daquela estrada vizinha, logo ali ao lado – e que hoje vemos com clareza. Teríamos tirado o sal da chuva para que se mantivesse salgado [...]


