“Caim”, de José Saramago
Não entendo o motivo de tanta irritação por parte da seita católica em razão do lançamento do romance de José Saramago, “Caim”. Ainda não li o livro, mas tenham certeza de que vou comprá-lo e ler com vontade.
Segundo a reportagem da Folha Online, o romance mostra uma visão irônica da bíblia e as declarações de Saramago acerca deste livro “sagrado” já não são novas, sequer originais – Carlos Bernardo Loureiro, na década de 1980, já havia explicitado muito mais. Mas, fiquem atentos, pois o que José Saramago fala é a mais pura manifestação de lucidez.
A seita católica tenta minimizar a importância do romance, dizendo que foi uma “jogada publicitária”. Convenhamos, José Saramago não precisa de jogadas publicitárias: seu público é cativo. E seria um tiro no pé, ele, português e morando na Espanha – dois países nojentamente católicos – usar uma estratégia de marketing de criticar a bíblia.
Sou publicitário, sei que muita gente – como eu – vai comprar o livro por causa disso, mas o cara, de forma nítida, não está nem aí para a opinião da seita sobre sua obra. O fato é a bíblia é, sim, o livro que mais habilidade mostra em criar fanáticos: quantos serial killers têm a bíblia como fundamento? Basta ver a “A Enciclopédia de Serial Killers”, de Micheal Newton. Veja-se, mesmo, quantas pessoas foram dizimadas só no Velho Testamento. A Inquisição ainda é uma página difícil de engolir para a própria igreja, que tenta, a todo custo, apagá-la da história. Durante tal campanha, foram assassinadas e destroçadas em sessões de torturas muito mais do que as duas Grandes Guerras conseguiram.
E é sempre a mesma história com os porcos católicos: são pedófilos, bêbados, assassinos, ladrões. Estes são os padres. O papa, um nazista descarado. Afinal, no exército de Hitler, se você não concordasse com as idéias, morria. Se ele chegou vivinho da silva à velhice, algo, tenuemente, diz que ele concordava com as políticas nazistas… Não é à toa que a seita católica, através de seu papa Pio, apoiou os nazistas.
O fato é que a seita católica ainda tenta fazer com as pessoas enxerguem como hereges os que raciocinam, aqueles que denunciam a irracionalidade daquela através de livros como a bíblia e dos óbvios casos em que fica mais que demonstrada que os sacerdotes nada mais são do que criminosos escondidos sob um véu de não mais que suposta santidade. Os fiéis recebem hóstias das mãos sujas por esperma de crianças abusadas por pedófilos, e acham que ali está “o corpo de Cristo”.
Padres que bebem suas cervejas, usam suas drogas, praticam seus abusos têm passe livre nas casas brasileiras. Quando eles desgraçam a vida de crianças abusadas sexualmente, ninguém protesta, e eles apenas são transferidos de paróquia, para continuar se deliciando com as suas iguarias infanto-juvenis em outras paragens. Durante séculos, fizeram campanhas para denegrir – falsamente – a imagem das culturas antigas de onde copiaram seus símbolos: o sol do “santíssimo”, as luminárias vermelhas nas igrejas, a figura de Maria com o seu véu estrelado copiado de Ísis. A lenda do nascimento de Jesus, a trindade indiana… Tudo cópia. Vem aí o livro sobre as cópias e farsas da igreja católica, de Cristiane Amaral, no prelo.
Depois de milênios de mentiras, traições, dominação e enganações que nos despedaçaram psiquicamente de modo cruel, eles se dóem quando alguém levanta a ponta do véu que revela quanta sujeira ainda há debaixo do tapete, esperando para nos fazer espirrar violentamente toda a secreção de espólio acumulada na nossa história existencial. Francamente…




Oi Marcelo
Há muito o que dizer sobre o obscurecimento característico da compreensão religiosa do mundo. Triste mesmo é ver seu país assinando acordos com o Vaticano de educação religiosa nas escolas…
Mas, como sempre, há outro lado da questão. Havia uma corrente dentro da igreja católica, dirigida pelo Leonardo Boff, que tinha uma preocupação com os movimentos sociais, com a ecologia, etc.
O problema é que, no embate político, a teologia da libertação foi oprimida pelo então cardeal inquisidor Ratzinger, e no Brasil venceu a Renovação Carismática, da qual a igreja católica se envergonha, mas que não pode oprimir dado seu sucesso de público.
Engraçado é perceber uma atrasada e manipuladora igreja católica ainda ter força e relevancia para não gostar de alguma coisa.
Tal instituição que desgraçou e ainda desgraça com suas filiais a vida de muitos, contando as mais absurdas mentiras. Mas, o povo bem que merece. Continua a acreditar nesse Deus cretino e louco que povoa todo esse ” tal documento sagrado”.
É impressionante idiotia à qual é levada a humanidade, pela falta de coragem de encarar a realidade. Falta de coragem essa que mantém o homem numa conveniente ignorância, para ele e para os condutores deste rebanho humano, no que diz respeito aos fatos que compõem a história da humanidade. É sempre bom lembrar-se do que já foi feito, mesmo não sendo este um costume do brasileiro, para não repetirmos erros bizarros. Alguém se lembra do papel das Missões Jesuítas na colonização da América Latina, se só durante a inquisição matou-se mais que durante as duas guerras, imagine se juntarmos os crimes perpetrados, os abusos sexuais e a pedofilia, marcas registradas desta instituição, com a desculpa de salvar as almas dos selvagens pagãos? É uma aberração o homem em pleno século 21 ainda manter esse tipo de instituição, preso às amarras da ignorância e da fantasia. Um atavismo religioso que nos anos de 1980 faz com que um sertanejo, quando perguntado sobre a estada do homem na lua, responde ao repórter que o homem não teve na lua porque o senhor (São – para ele) Jorge não iria deixar!!! Por quanto tempo vamos permitir que instituições religiosas cerceiem o raciocínio, embotem a razão e continuem a construir sociedades imbecilizadas?
Parabéns pelo post, Marcelo!
Polêmico e reflexivo!
Abraços
Olá Marcelo,
acredito que sua precipitação em escrever um artigo sobre um livro que ainda não leu se deva ao desejo de falar da Igreja Católica. E falar superficialmente tanto sobre literatura como religião é tarefa até lúdica. Eu não moro mais em Sorocaba e visito o site da Teia Cultural com muito prazer, para saber o que se passa por aí. Entrei no link sobre o “Caim” justamente porque também não li o livro e poderia obter mais alguma informação para, eventualmente, lê-lo. Digo eventualmente porque já li tanto Saramago que dei uma pausa há alguns anos, porque passei a dar mais atenção a outros escritores de língua portuguesa. No artigo da Folha que você cita, está a frase do rabino Elieze du Martino: “Saramago desconhece a Bíblia e sua exegese. Faz leituras superficiais da Bíblia”. Isto é evidente na obra de Saramago. Fica evidente também no seu artigo. O que se sabe sobre Paulo de Tarso e sua influência nos primeiros anos da Era Cristã, influenciando inclusive o Direito Romano e desta maneira trazendo benefícios para qualquer um que pudesse cometer atos considerados ilícitos? O que se sabe de Sto Agostinho, São Tomás de Aquino e o trabalho do Cardeal Ratzinger além dos escritos na mídia tradicional como por exemplo (francamente…) a Folha de São Paulo?
Veja, fiquei surpreso com a franqueza de seu artigo em começar escrevendo que não leu o livro. Meu comentário é para expor meu espanto em seu desejo de atacar o Catolicismo com tanta superficialidade dentro de um espaço em que busco, ainda, credibilidade. Eu também não li o livro e não pretendo nos próximos meses. Repito, meu comentário não se deve a (des)importância do livro de Saramago no assunto religião. Como literatura o livro ainda não foi comentado.
Forte abraço
Guto
Olá, Guto e Brasileira;
Respondi ao comentário de vocês em novo post:
http://www.teiacultural.com.br/v4/?p=2969
Um abraço,
Marcelo Rios
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