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E ainda me chamam de burro e incapacitado…

Postado por Marcelo Rios em sexta-feira, 12 fevereiro 201012 Comentários

Um burro se manifestando?

Recebi uma crítica ao meu artigo sobre o livro “Caim”, de José Saramago. Como todos sabem, eu não sou católico.

O autor da crítica está certíssimo em dizer que fiz o artigo guiado pelo meu desejo de falar mal da igreja católica. A gente precisa partir de algum ponto na vida… Também acerta quando diz que falo superficialmente sobre literatura. Já sobre religião…

Meu amigo diz que leu o artigo pois estava procurando mais informações sobre o livro antes de lê-lo. E diz que concorda com a opinião do rabino Elieze du Martino, contida no artigo da Folha que eu cito: “Saramago desconhece a Bíblia e sua exegese”. Primeira incoerência: como concordar com ele se também não leu o livro “Caim”? Vai-se dizer que a obra do Saramago denota isso. Mas “Caim” faz parte da obra e você ainda não o leu. Logo, não é desculpa.

Daí, um equívoco grosseiro: diz que no meu artigo, também fica evidente que a minha leitura do Manual das Perversões Humanas (Bíblia) é superficial. Portanto, vou dizer o que sei sobre as sumidades citadas pelo mesmo:

Paulo de Tarso, o grande Paulo de Tarso, já começou mal a sua figuração por ali – pois foi um grande assassino. Matou Estêvão a pedradas, só porque tinha inveja da sua oratória. Depois, começou a praticar uma perversidade sem tamanho, ao criar a idéia de que o “sangue de Jesus tem poder”, enquanto o mestre galileu (galileu = que viveu na Galiléia e que, diga-se de passagem era judeu, e não “cristão” – leia “Jesus, um judeu marginal”, de Geza Vermes) sempre baseou a sua força nas idéias, e não no seu sangue. Isso é maluquice de quem adora ver um sangue espirrando por aí – como acontece em todo o Velho Testamento, a mando de Deus.

Paulo de Tarso, cujo nome originalmente era Saulo, também começou a trazer uma série de ícones de culturas pagãs para o cristianismo, para fazê-lo mais bem-quisto pelos povos pagãos (termo que significa “camponês”) – utilizando, também, a força do império romano para eclipsar aquelas culturas. Logo, a influência de Paulo de Tarso, é a influência de um assassino.

O que se sabe sobre “Santo” Agostinho? Que tal lembrar que ele deturpou as idéias de Platão, criando a baboseira do céu e do inferno? Ou você realmente acredita que Jesus, que diz que “a cada um segundo as suas obras” concordava com a idéia de um céu dos eleitos?

Agora, o trabalho do Cardeal Ratzinger realmente foi MA-RA-VI-LHO-SO! Vejamos: lembra a ocultação sistemática dos casos de abuso sexual contra menores praticados pelos padrecos, aqueles seres benevolentes e estupradores da igreja católica? Foi ele, o poderoso Cardeal Ratzinger o designado pelo Vaticano para que todo fosse abafado. E ele cumpriu bem as ordens: cuidou para que os monstros estupradores de menores fossem transferidos para outras paróquias, para que lá pudessem degustar outras vítimas, e cuidou ainda para que as primeiras mantivessem silêncio.

Não é à toa que ele participou da juventude de Hitler, não é? E olha que, naquelas condições, quem demonstrasse qualquer aversão aos conceitos nazistas era denunciado e presos. Logo, ele deve ter sido bem convincente sobre a o seu apreço às normas de Hitler contra judeus… (mas, peraí: Jesus não era judeu? – hmmmm… isso vai feder).

Então vamos lá: foram citados um assassino, um deturpador, e um monstro que acoberta pedófilos. No entanto, acham ruim eu ter citado Ruy Barbosa, justamente um homem digno que foi atacado pela Igreja por ter traduzido “O Papa e o Concílio”, de Janus?

Poderia ainda citar que a virgindade de Maria foi inventada num Concílio, assim como a infalibidade papal, a deidade de Jesus, o engodo do Espírito Santo, a trindade (copiada da Índia), os assassinatos na Inquisição, as manobras políticas; que o 25 de dezembro foi copiado de Marfuz, da Babilônia, etc., etc., etc. Mas acho que já deu para perceber que não critico a igreja católica superficialmente. Já pensou, quando alguém puser a nu todas as culturas que o catolicismo fez questão de destruir e esconder, como fez com o judaísmo no Ocidente? Não estou defendendo o judaísmo não – até porque o próprio Jesus critica o judaísmo e, por conseuquência, destrói a doutrina de Moisés.

Esclarecidos todos estes pontos, parto agora para redigir o meu próximo artigo em paz…

12 Comentários »

  • Guto Brinholi disse:

    Caro Marcelo,

    meu e-mail foi enviado ao site e esperava que junto com a resposta pública citando meu nome, ao menos houvesse um aviso de que você respondeu. Por acaso acabei encontrando sua resposta junto ao artigo com a frase “Agora, vem a parte mais gostosa”. Agradeço por meu nome estar na parte mais gostosa. Repito e sei que você vai entender com a repetição: não li Caim mas li a obra quase completa de Saramago. O que não me faz mais inteligente. O livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo” já mostra a superficialidade religiosa de Saramago. Muitas de suas entrevistas também, talvez até mais que seus livros.
    “Então vamos lá: você citou um assassino, um deturpador, e um monstro que acoberta pedófilos.” Você se refere a Paulo de Tarso, Santo Agostinho e Ratzinger nesta ordem. Não quero nem saber como você poderia se referir ao Fernandinho Beira Mar ou ao José Dirceu. Mas já que seu conhecimento em religião é maior que literatura, como você mesmo diz, acho melhor pararmos por aqui. Fico feliz que falar de religião seja uma coisa gostosa. Obrigado pela resposta indireta, ainda que citando meu nome.
    Abraço

  • Guto Brinholi disse:

    Retificando
    Marcelo, acabei de ver que colocou um link para sua resposta “Agora, a parte mais gostosa”. Agradeço e faço questão de corrigir esta parte de meu post abaixo.
    Abraço

  • Fernando Leme disse:

    Marcelo, sem chorumelas porque eu estou sem tempo.

    1. Comentei que vocẽ mudou radicalmente de ideia do primeiro texto sobre o TM para o segundo. Sem juízos de valor, apenas mudou. Ponto.

    2. Não aceito generalizações simplificadoras como as suas (elas sim sintoma de algum tipo de incapacidade, enfim), como “os brasileiros são incompetentes” e “os brasileiros são burros” por quatro motivos:
    a) A generalização acaba por me incluir (penso, logo existo; os brasileiros são burros, eu sou brasileiro, eu sou burro);
    b) Não sei você, mas eu convivo com grandes pessoas.
    c) já que mencionei Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Chico Buarque e poderia citar André Marques, Lívia Gusmão, Beto Corrêa, etc. acabaríamos tendo que escrever uma longa lista de exceções, cujo critério ficaria meio esquizofrênico e inútil.
    d) a generalização exclui o raciocínio sobre as possíveis causas das supostas incompetência e burrice do brasileiro.

    3. Já que você considera tudo tão ruim, poderia procurar um lugar no mundo mais adequado ao seu imenso talento e brilhantismo que, por ora, seguem ocultos do grande público.

    4. Continuo pensando que a arte não precisa ter uma finalidade “a priori” e fiquei feliz da vida quando descobri que o Chico também pensa assim. Ponto.

    5. É de causar espanto reação tão exacerbada a uma conversa tão natural sobre opiniões diversas.

  • Cássio disse:

    Fico contente que uma crítica (?) tão despretensiosa quanto a minha tenha acendido tão luminosa elucidação, muito apesar de palavras tão bem articuladas racionalmente não me fazerem refutar um milionésimo. O perigo de artistas que se atrevem críticos é essa confusão toda. Liberdade clama um sentido que dure pouco menos de um segundo. Todo o resto é velho, neoartista. Crítico? Tem lá sua serventia, sim, reconheço, tanto é que existem. Mas quem sabe, faz; que não sabe fazer, ensina; quem não sabe ensinar, ensina a ensinar; quem não sabe ensinar a ensinar, vira crítico. Quem sabe fazer e, ainda assim, se expõe publicamente como crítico? Corre o risco de misturar. Confundir. Limitar o infinito a algo muito menor do que é humanamente possível. Podemos ir mais longe, Marcelo, tudo isso já foi dito. É tudo muito velho essas paradas de individualidade, aliás é neo demais, compreende meu liberal? Papo do século passado. As escolhas são individuais, a arte não! Queria ver se Picasso seria o mesmo gênio sozinho na Lua…
    As misérias que produzimos (?) são só a repetição das misérias que produzimos.

  • Marcelo Rios (author) disse:

    Fernando, sem querer eu terminei respondendo ao seu comentário no texto que já estava pronto. Está no meu último artigo.

    Quanto ao comentário do Cássio, só vi confusão. Não foi a sua crítica que acendeu nenhuma elucidação, senão nós ficaríamos sempre dependendo do estímulo – e os pensadores que me estimulam estão muito além. No caso presente, você foi estimulado.

    “Liberdade clama um sentido que dure pouco menos de um segundo”: que sentido é esse, já que o conhece? Porque dura pouco menos de um segundo? Alguém cronometrou? Falácias.

    “Todo o resto é velho, neoartista”. O que é neoartista?

    Quanto ao encadeamento do “quem sabe, faz, blá, blá, blá…”, besteiras! Sim, eu sei fazer e me exponho como crítico, porque (mais uma vez) na nossa republiqueta de bananas, acontece algo estranho: quem executa uma arte, não pode, então, emitir parecer sobre nada, e vice-versa, porque corre o risco de se misturar? A crítica é condição fundamental de quem raciocina. E para fazer arte, felizmente, não é necessário abrir mão do pensamento lógico. Senão, o resultado é algo como o Teatro Mágico…

    “Limitar o infinito a algo muito menor do que é humanamente possível”. Cássio, o que vem a ser o “infinito”? O que é humanamente possível? Você está trazendo para a conversa coisas, assuntos e defifições que nós não conhecemos na prática, que ainda estão apenas no campo das conjecturas, rapaz. Aí você demonstra que não opera sobre nada experimentalmente provado. E assim, pisando em nuvens, fica difícil…

    Não que esses conceitos não sejam importantes, se você conseguir me definir o que são “o infinito”, “o humanamente possível”, “o velho”, o “neoartista”, a gente vai poder tirar algum resultado prático disso tudo. E não estou pedindo que você me diga onde leu essas coisas, porque eu passei pela Faculdade de Comunicação, onde a gente lê aquele calhamaço de teorias, elas sim, velhas.

    Daqui a pouco você vai me dizer que Sartre era gênio, que Darwin foi brilhante, que Freud era inteligente: um desesperado, um trapaceiro e um covarde.

  • Cássio disse:

    O caos realmente é um pouco confuso para quem não está acostumado. Tenho preguiça de dissertar, não adianta… Não era nada pessoal. Talvez,um dia, meu neo, você compreenda do que estava falando. Finalmente, obrigado pelo espaço.

  • Fernando Leme disse:

    Uhauhauhauha…
    Marcelo, quanto tempo eu perdi com você! Eu devo ser muito ingênuo.
    Não é só o teatro mágico que te incomoda. É tudo. O Brasil, Sartre, Darwin.
    E ainda criticou o Cássio por trazer à discussão conjecturas! Nossa! Mas foi você mesmo que veio falar da suposta PROVA científica da reencarnação!
    Há!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Cara, o mais interessante é que vocẽ não teve a manhã de contestar NENHUM dos meus argumentos. Isso é um bom sinal, não acha?
    Talvez o Brasil, Darwin, Sartre e Freud tenham alguma coisa para te ensinar.
    Uma boa sorte para você Marcelo. (ah, mas talvez você desconfie da sorte também, rs, então, o que dizer? Siga em frente, marcelo. Ah, mas pode ser que você ache que “frente” é um conceito retardado inventado por algum cartesiano bêbado, uhauhauahuha)
    Tõ rindo muito aqui…
    Um abraço para os demais.

  • Fernando Leme disse:

    Ah! Me esqueci de responder o título:
    Provavelmente.

  • Marcelo Rios (author) disse:

    No meu artigo, trouxe a discussão para o campo das reflexões ponderadas, estabelecendo bases de raciocínio. Viu só, como basta colocar o raciocínio bem explicado e embasado que, em um instante, você agride e sai correndo? Ou aceita conversar e trocar idéias em bases lógicas, ou, por favor, nem se dê ao trabalho de discutir. Parece que não suportou o tom do artigo, pois não conseguiu refutar um ponto sequer. Você deveria ter vergonha…

  • Fernando Leme disse:
  • Marcelo Rios (author) disse:

    Fico feliz que a suspeita do Jorge Luis Borges, no meu caso, não tenha se confirmado, pois abstraio e generalizo – e discordo de que pensar seja esquecer diferenças. Já conhecia o autor, cujo livro “História da Eternidade” é muito bom!

  • Fernando Leme disse:

    Que o diga o realismo fantástico!

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