A nossa Liberdade
Sempre fomos livres. Quem criou as legislações fomos nós mesmos. Usando um pensamento do pesquisador espírita Carlos Bernardo Loureiro, “a nossa liberdade é tão absoluta que criamos as leis para nos cercear”.
E é por isso que este lugar aqui, a Teia Cultural, deve ser valorizado. Quem lê o que eu escrevo aqui já deve ter percebido que não sou exatamente querido por todos – e, quase com certeza, já deve ter nutrido um certo desgosto pelas minhas afirmações. Mas o fato é que só as verdades têm a chance de nos incomodar.
Quando conheci Lívia Gusmão, há onze anos, já dava para perceber o quanto a moça é inquieta. E conseguiu fundar a Teia Cultural – e me orgulho de ter participado desta fundação -, hoje já com o Teia Live Sessions e na raça, sempre na raça mesmo, as coisas vão ficando cada vez melhores por aqui.
Ao conhecer Sorocaba pessoalmente, percebi o quanto as coisas são difíceis por aí, talvez tanto o quanto seja difícil aqui em Salvador, já que a dificuldade que enfrentamos sempre será proporcional à nossa capacidade de lutar. E só temos alguma liberdade quando a conquistamos e, acima de tudo, sabemos usá-la. Alguns podem terminar se ofendendo ao ver a forma como uso a minha. Escolhi sair de cima do muro o máximo que eu conseguir e sempre que tiver a oportunidade. Nós temos que nos diferenciar. Aqui, cabem alguns esclarecimentos:
- É que conheço pessoas fantásticas, mas, de fato, elas são muito poucas no Brasil;
- Ser brasileiro é uma coisa, estar brasileiro é outra bem diferente.
Aqui, cito mais uma vez o pesquisador espírita Carlos Bernardo Loureiro, quando dizia: “Eu não sou brasileiro, eu estou brasileiro”. m dos pontos de partida dos meus raciocínios é sempre o da reencarnação (provada por Ian Stevenson. Se alguém acha que é ponto de fé, vá estudar antes de vir aqui dizer que estou “contaminando o espaço com crendices”), e quando criticoa postura do brasileiro é porque procuro fazer muita força para não fazer parte deste grupo.
Quando falamos em liberdade, falamos em livre-arbítrio. E o livre-arbítrio pressupõe que somos senhores de nossas vontades. Bem, não é o que acontece normalmente. Não temos controle do que comemos ou do que fazemos, e vivemos atordoados. Aí é que entra o pensamento de Allan Kardec, quando diz que apenas com o desenvolvimento intelectual poderemos criar uma condição social melhor.
Portanto, quero agradecer aqui, de público, à Teia Cultural e a Lívia Gusmão, pela existência de um espaço onde podemos, todos, colaboradores e visitantes, expressar os nossos pontos de vistas, pensamentos e opiniões, sem a ameaça de qualquer censura, uma vez que manifestar o pensamento é consolidar um ato da maior importância: manifestarmos as nossas diferenças.
P.S.: Antes que os meus “fãs” de plantão digam que eu estou “amaciando” por conta do artigo anterior, ou por causa de qualquer opinião, adianto logo que este é um texto em gratidão ao espaço, e que já estava em elaboração há uma semana. Por favor…



Marcelo,
Junto-me à você neste texto e enalteço o trabalho feito pela Livia Gusmão no Teia. E fico também feliz por fazer parte, de alguma forma, desse espaço.
Tenho a mania de pensar que quando nos incomodamos em demasia com algo, alguma coisa temos que não conseguimos aceitar sua existência em nós mesmos. E, portanto, nos enfurecemos e atacamos. Válidos são os comentários construtivos, mesmo que discordantes, que partem de sua idéia para desenvolver outras. Querer diminuir ou atacar uma idéia, para mim, mais parece um ato de violência, e não de paz.
Abraços!
Olá, Armando!
Concordo com você, quando diz que, quando diz que quando nos incomodamos em demasia com algo, é porque alguma coisa temos que não conseguimos aceitar sua existência em nós mesmos, mas em parte.
Na minha concepção, se nos incomodamos com algo, é porque temos a capacidade de conceber a sua exstência – e se a concebemos, é porque conhecemos aquilo. Porém, não significa que possuímos aquela característica ou admitimos o conceito: apenas compreendemos, mas rejeitamos a lógica que sustenta o assunto em questão.
Os comentários, mesmo que discordantes, sempre serão válidos. No entanto, não podemos aceitar essa espécie de “ecumenismo” ideológico, sob o qual todas as idéias podem conviver harmoniosamente, em nome de uma suposta ou pretendida paz, que mais soa como “não-conflito”: idéias discordantes jamais poderão coexistir harmonicamente em um mesmo psiquismo. Pessoas que admitem idéias discordantes podem, até, viver em uma sociedade harmônica e se respeitando mutuamente, desde que aquelas idéias não impliquem na perturbação do bem-estar geral e no desvio do desenvolvimento social e político.
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