Sou contra a doação de órgãos
Virou moda fazer campanha para que todo mundo doe os órgãos dos seus familiares recém-tidos-como-mortos, ou mesmo para que as pessoas declarem abertamente aos quatro ventos serem doadoras. Se alguém quiser entrar nesse bloco, fique à vontade, mas é importante levantar algumas questões importantes, bem como trazer alguns esclarecimentos sobre a questão.
Para começar, precisamos ter bem claro que os órgãos precisam estar ainda em atividade vital para servirem ao transplante. Nos casos em que a morte foi diagnosticada, os órgãos precisam ser retirados o mais rapidamente possível, sob pena de não mais serviram ao transplante. E é aqui, exatamente neste ponto, que começa uma jornada de questionamentos e problemas: no caso em que o organismo ainda apresenta sinais vitais, afinal de contas, como ter certeza de que aquele ser não mais recuperará a consciência?
Morte cerebral. O assunto tem sido alvo de variadas discussões, porém, com uma única certeza: a linha divisória entre vida e morte é extremamente difusa e difícil de estabelecer, para a ciência médica, uma vez que depende de diagnósticos emitidos com base em exames e equipamentos. Inicialmente, a morte era associada à parada dos batimentos cardíacos – o que já trazia uma série de casos em que a não detecção dos batimentos ocasionava, como ainda hoje ocasiona, casos deploráveis de pessoas enterradas vivas. Ainda neste ano de 2010, um pedreiro quase teve o seu peito aberto em uma necropsia. Ainda há casos em que pessoas retornam à vida com o corte do bisturi empunhado pelo médico legista.
Com o tempo, um instrumento extremamente desconhecido começou a ser o decisor da morte: o cérebro. Em 1968 um comitê deliberou – sim, deliberou – que o estado de coma irreversível deveria ser considerado como sinônimo de morte. Hoje, após inúmeros transplantes terem sido realizados sob este diagnóstico, médicos europeus descobrem que o paciente sob estado de coma “irreversível” ou o chamado “estado vegetativo persistente” comtinua tendo consciência e é capaz de se comunicar com os médicos. Muitas pessoas sob esse estado tiveram os seus órgãos arrancados sem conseguir gritar, piscar ou emitir um sinal de que estavam sentido dores desesperados.
O conceito atual sugere que a vida reside no encéfalo, ou seja, no cérebro, cerebelo e tronco cerebral. Então, vamos revisar: órgãos estão sendo arrancados de corpos muitas vezes viventes, porque os senhores médicos não possuem recursos para determinar com certeza a morte de uma pessoa, visto termos casos de pessoas que passam até mais de uma década em coma e retornam à vida, sem ninguém compreender como ou porquê.
O tal “gesto de amor” tão pregado pelos precipitados no assunto – elucida Carlos Bernardo Loureiro no livro “A Visão Espírita da Morte” – torna-se em frio e cruel assassinato de um ser vivente, apenas pelo fato de não termos uma medicina capaz de trazê-lo de volta ao seu estado de plena manifestação através do corpo. Curioso notar que justamente Alexis Carrel, o criador do primeiro coração artificial, afirmou que enquanto a Medicina não se espiritualizar, não promoverá progresso algum.
Mas, e nos casos em que a morte é certa? Um tiro na cabeça, com efeitos irreversíveis? Muitos argumentam: “ele vai morrer, é certo. Porquê não doar os órgãos e salvar uma outra vida?”. Antes de mais nada, precisamos analisar melhor a questão, e retornarei aqui às pesquisas de Carlos Bernardo Loureiro, Alexis Carrel, Gustave Geley e Alfred Russel Wallace, dentre outros.
É provada a existência do Perispírito. Sim, eu o afirmo de tal modo, pois as provas de sua existência são muito mais objetivas e lícitas do que os sofismas que sugerem a existência de um “inconsciente” (individual ou coletivo), ou os complexos criados por Freud. Nas pesquisas de Allan Kardec, trazidas a lume em “O Livro dos Médiuns”, vemos os princípios comprovados por Charles Richet, Nobel de Medicina e Fisiologia em 1913, quando afirma, em seu Tratado de Metapsíquica, que a ninguém pode mais ser facultado duvidar da realidade dos fenômenos de ectoplasmia. Em seu apoio, vem Alexander Aksakof, no livro “Um caso de desmaterialização”, em que evidencia: mesmo que o corpo físico da médium desapareça momentaneamente, um seu “molde” ali permanece, e serve de base à reconstrução do corpo.
Foi o que Alfred Russel Wallace entreviu, ao dizer que o Ser se utiliza de algo para a formação do seu corpo. Mas é Allan Kardec o mais claro de todos: o Homem é composto pelo Espírito encarnado, detentor da consciência; corpo físico e Perispírito, que serve não apenas de intermediário entre os dois primeiros, mas sobrevive à morte do corpo físico e serve de referencial para a formação de novos corpos nos quais o Espírito virá a encarnar no futuro. Quando ocorre a morte, mesmo que os sinais vitais tenham cessado, o desligamento entre Perispírito e corpo físico ocorre de forma lenta e gradual, possuindo fisiologia própria, de modo que a cada partícula do Perispírito está ligada uma outra do corpo físico. Esta ligação é de tal modo que qualquer ato perpetrado neste, repercute naquele, e vice-versa.
Então, vamos retornar ao problema: você está deitado à maca, com um tiro na cabeça, falindo organicamente. O desligamento ainda não ocorreu de forma completa – e quando ocorrer, os órgãos já não mais servirão para serem transplantados. Neste momento de extrema importência, seus órgãos serão seccionados, provocando sérias repercussões em seu Perispírito, prejudicando aquele organismo que serve de referencial para a formação de seu próximo corpo. Se for danificado, problemas de má-formação do feto, por exemplo, poderão ocorrer. Extirpado o órgão, não importa se por amor ou caridade, as repercussões acontecerão.
Do outro lado da página, está o candidato a receber os seus órgãos. Afinal de contas, quem é o responsável pela sua patologia ou deficiência? Receberá o seu órgão, um corpo estranho àquela sua organização, e passará a vida tomando remédios contra a rejeição. Prejudica o doador, prejudica a si mesmo, uma vez que o problema não está no órgão, mas em quem o forma – o Espírito – e todos serão prejudicados, ninguém ajudado, exceto o médico, que recebe bem pela cirurgia.
Há um exército de pessoas em camas de hospitais vibrando dia e noite para que alguém lá fora morra de algum modo, para ter um novo coração, rim ou fígado. É uma obsessão coletiva, um vampirismo de proporções jamais imaginadas, e que interfere a cada dia em nossas cidades, impelindo a todo tipo de assassínio e comércio criminoso de crianças e que são capturados para terem seus órgãos retirados por milhares de reais ou dólares.
De modo algum pretendo encerrar o tema nestas poucas linhas, pois muito há que já foi dito sobre o tema por Carlos Bernardo Loureiro em seu livro já citado, e muito mais há ainda a ser pesquisado, mas uma coisa é certa: na minha carteira de identidade, estará escrito “Não doador”, bem como não seria correto aceitar os órgãos de ninguém. Nós precisamos arcar com as responsabilidades de nossos próprios atos.
*Em tempo: antes de me acusarem de impiedoso ou “coração de pedra”, pensem – e se eu estiver certo?




É por isso que é perigoso misturar ciência e religião. Quando a fé proíbe, por exemplo, a prática de sexo com uso de preservativos, pode tomar uma decisão coerente com o seu dogma, mas absolutamente deletéria do ponto de vista da saúde pública.
A prática individual de determinada crença não poderia, portanto, interferir na definição de políticas públicas sobre o tema.
Especificamente quanto ao abortamento, escrevi certa feita, neste link: [http://fernandohleme.wordpress.com/2009/03/22/que-o-papa-va-a-merda/].
Retomando a distinção entre crença e ciência, o autor poderia me indicar, por favor, quais os métodos utilizados para a obtenção de resultados tão revolucionários na pesquisa científica (como a existência de um “perispírito”) e a data de divulgação em publicação científica reconhecida, com seu critério básico de peer review, bem como a universidade ou empresa que financiou a pesquisa.
Um grande abraço a todos
Com todo o prazer, Fernando. Coletarei as informações solicitadas e editarei o comentário mais tarde, uma vez que estou em meu horário de trabalho. Espero que sirvam ao esclarecimento.
E aí Marcelo, conseguiu?
Artigo bastante interessante sobre o tema que vinha sendo discutido:
http://ateus.net/ebooks/acervo/como_criar_uma_pseudociencia.pdf
Fernando, a resposta à sua solicitação está no novo artigo: http://www.teiacultural.com.br/v4/?p=3151
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