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Como Voltaire já dizia…

Postado por @liviagusmao em sábado, 6 março 20101 Comentário

VoltairePosso não concordar com nenhuma palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las. (Voltaire)


Não sou adepta da verborragia. Aliás, eis uma palavra verborrágica. Mas quando o tema é válido e o discurso suscita reflexões, não interessa com quantas palavras se defenda um ponto de vista. Sou uma pessoa ávida por argumentos, porque eles servem para entender o raciocínio do outro e, só assim, é possível se chegar a um consenso. Nem tanto para mim, nem tanto para você. Só se atinge o equilíbrio depois de se pender para os lados, frente e trás.

Há quem pense que democratizar a arte seja levar o erudito ao popular, acreditando que apenas esse movimento tornará este mais intelectualizado. A democracia cultural também elege seus representantes, dentro das vastas ramificações como os estilos, as comunidades, os nichos, enfim. Portanto, o trânsito cultural deve ser feito em via de mão dupla. O erudito e o popular foram usados como exemplo, mas a colocação cabe para diversas manifestações que se confrontam o tempo todo, muitas vezes de maneira intolerante. Como muitas batalhas, certos debates podem levar anos, décadas, encarnações até que se chegue a uma conclusão. Difícil é confrontar sem descer do salto uma vez ou outra, porque nem sempre somos diplomáticos – ou dissimulados – o suficiente. Mas sem a (auto) exposição de pareceres, é impossível levantar questionamentos.

A ignorância é remediável, a burrice não. Somente através da argumentação (raciocínio e pensamento lógicos e, por vezes, estratégicos) é que se desperta o indivíduo da ignorância letárgica. À falta de conhecimento, dão-nos informação e ensinamento até que aprendamos e nos tornemos menos ignorantes, pois todos o somos sob vários aspectos. E ninguém melhora em algo se, um dia, não foi bom naquilo; então até que temos um certo privilégio porque pudemos, um dia, ser ignorantes. O que não podemos permitir é que a burrice se instaure e provoque a intolerância. O que seria a burrice, senão a própria estupidez de se sentir inteligente demais, tornando todo e qualquer argumento alheio inválido? O burro empaca. O ignorante, nem sempre.

1 Comentário »

  • Marcelo Rios disse:

    “Há quem pense que democratizar a arte seja levar o erudito ao popular, acreditando que apenas esse movimento tornará este mais intelectualizado.”

    Creio que isso se aplique, inclusive, ao uso indiscriminado de conceitos acadêmicos no meio popular. Inteligência não é aquilo que nos faz incompreensíveis, mas justamente aquilo que vence a barreira da incompreensibilidade, tornando um tema acessível ao entendimento de todos aqueles que sejam minimamente capazes. Dois exemplos:

    Allan Kardec sabe fazer isso muito bem em todo o “Livro dos Espíritos”, mas especialmente na introdução. Lá, ele estabelece o vocabulário que usará, antes mesmo de tratar o tema e, desta forma, o neófito sabe que conceitos estão sendo evocados ao longo do trabalho, mantendo o diálogo sempre fluido.

    O segundo exemplo é Carlos Bernardo Loureiro: ele é um mestre em fazer com que os temas mais complexos possam ter as suas diversas nuances acessíveis a todo entendimento, reservando a cada interlocutor a reflexão aprofundada sobre os pontos que mais são próximos das usas respectivas áreas do conhecimento. Nunca vi ninguém com tamanha capacidade para expôr idéias e ele o faz de tal modo que seus textos e falas apresentam sempre um caráter enciclopédico, tal o seu aprofundamento anterior sobre o tema.

    O fato de que, expondo e ouvindo argumentos, temos então a oportunidade de conhecer mais, é a base do evolver. Para isso é que deveria ser usado o entrevero, pois se você fala de algo que ignoro, então eu devo prestar atenção, e reconhecer que sou ignorante naquilo, estudar primeiro, e só depois tecer algum juízo sobre o tema.

    Concordo também com Lívia em outros pontos: alguns tipo de críticos – como eu – jamais ressaltarão o que há de positivo, por um motivo simples. O que está bom, não precisa de conserto urgente. A denúncia é feita porque algo precisa urgentemente ser consertado, alterado, revisto, analisado, rejulgado, seja lá o que for. Sou terminantemente contra as políticas de compensação, do tipo que achando que algo bom anula algo ruim. Não é assim que o mundo deve ser conduzido.

    Também achei interessante a questão sobre níveis de entendimento. É óbvio que eles existem. Se eu me especializo em um tema, claro que meu nível de entendimento sobre ele é muito mais profundo do que o seu, e vice-versa. Não significa que está mais CORRETO que o outro, mas para ser avaliado, antes o leitor é convidado a estudar. Este é o tom do texto sobre o Sobrenatural: para divulgar idéias sobre o tema.

    Este comentário inclui considerações feitas pela autora nos comentários feitos no seu blog pessoal, o liviagusmao.com.br

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