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Bruna Caram caiu na Teia!

Postado por Marcelo Rios em sábado, 22 maio 20106 Comentários

bruna_caramPosso dizer que, ao desembarcar em São Paulo, a trilha que me acompanhou até o hotel não poderia ter sido outra: “Fim de Tarde”, da Bruna Caram. Assim como nenhuma outra música poderia ter sido mais adequada, o que encontrei no final da tarde de terça-feira, em um recanto agradável e que resiste à cidade, foi uma equipe educada e uma moça serena no seu jeito de ser.

Bruna Caram é a fotografia de um tipo que só uma história como a sua é capaz de produzir – história rara e devidamente preservada pela moça, que faz questão de deixar tudo exatamente em seu lugar.

Ela com uma xícara de cereais – que permaneceu intacta até o fim da entrevista – e eu bebericando água boa e fresca. Tive o prazer de conversar com a Bruna por uma hora. No período, até as intervenções eram agradáveis: Ana, assessora de Bruna, da equipe da Perfexx, por vezes entrava e saía, sempre nos deixando totalmente à vontade para conversar. Por outro lado, uma simpática cadela latia e choramingava à porta, como que querendo participar da reunião.

Em suma: fui recebido com bons olhares, cumprimentos cordiais, sorrisos largos e o que de melhor aquela entrevistada poderia ter-me dado: um bom dedo de prosa e o alívio de perceber que, muito mais que “uma cantora da Nova Geração da Música Popular Brasileira”, Bruna Caram tem alma antiga, gostos refinados e um trato agradável que vem de muito, mas muito longe – e de um lugar muito profundo em seu espírito universalista.

Marcelo Rios: Antes de vir para cá, li o seu blog e muitas entrevistas. Nelas você fala da sua história como integrante dos Trovadores Mirins, além de falar da infância com sua avó, fazendo brincadeiras ao piano. Poderia contar um pouco mais dessa sua relação com a sua avó e do que permanece, disso tudo, hoje?

Bruna Caram: Ah, legal – e eu acabei falando da minha avó antes de começar (risos)! As pessoas acham que eu sou muito mais próxima da minha avó do que eu realmente sou. Não é aquela “vó amiga”, que eu encontro sempre, mas eu tenho uma verdadeira adoração pela figura dela, pelo que ela representa para mim, pelas coisas que ela me ensinou. Aos 75 anos ela borda, pinta, costura; ensinou todo mundo a cantar e a tocar piano, sabe? Fez questão mesmo – e até hoje canta muito! Esteve aqui no meu último show, “Piano e Voz”, em São Paulo, deu uma canja no final do show… É uma pessoa muito viva, iluminada – artista mesmo, em todos os sentidos, e que embora não tenha sido uma cantora profissional (cantou profissionalmente por pouco tempo, nos anos 50) a “verdade” dela continuou. Por isso eu sempre digo que se algum dia ninguém quiser me ouvir, eu paro de cantar para os outros. Mas para mim mesma, eu sempre vou cantar.

A música faz parte da minha vida: é a maneira como eu vivo, como eu estou junto à minha família, como eu creio, como eu me sinto melhor (e até pior!). O que mais ficou da convivência com a minha avó foi essa fidelidade, de ter a música no sangue até o fim! Essa sinceridade e transparência, de mostrar o que o artista é pessoalmente e no palco.

Marcelo: Eu vi o vídeo de vocês duas cantando “Azulão” e “As Cidades”…

Bruna: “As Cidades” que é uma música do Juca e do Eduardo Santhana, meus tios. São os mesmos compositores do “Fim de Tarde”, que está no disco novo.

Marcelo: Enviei o vídeo para alguns amigos meus, e a carência que se tem de música boa é tão grande que, ao vê-lo, cada um de nós respirou aliviado.

Bruna: [sorriso largo]

Marcelo: Algo que fica patente no vídeo é o modo como você se relaciona com esse “passado”: com respeito. O fato de ter participado dos Trovadores Mirins talhou em você um olhar diferenciado sobre a música em si? Afinal, dos artistas novos que estão despontando, você é das poucas – senão a única – que foi formada cantando serenatas…

Bruna: Houve muitas coisas que contribuíram bastante para me formar enquanto artista – e eu estou longe de estar completa. A estrada para eu vir à tona hoje como a artista que sou não passou apenas pelos Trovadores Mirins: teve a minha avó e também o meu avô, que é violonista, toca choro… Eu tento tirar um pouco essa idéia de que foi só nos Trovadores, sabe? Explicar que eu não sou mais uma Trovadora; que isso é uma parte importante da minha história, mas que hoje eu faço outro tipo de música.

Algumas pessoas ainda ficam admiradas [com a desenvoltura no palco] e é preciso saber que eu comecei muito cedo. É importante explicar toda essa história: embora eu não faça mais serenata, essa coisa “antiga” está comigo. Tem um depoimento que a Patrícia Palumbo [apresentadora do “Vozes do Brasil”, que vai ao ar na Rádio Eldorado e autora do livro homônimo, em dois volumes, sobre música brasileira] falou sobre mim, dizendo que “a Bruna parece uma menina antiga, novinha, mas tem uma bagagem e uma experiência que assusta a gente, a princípio”. Essa experiência de fazer serenata, especificamente, tem um lado de “cara-de-pauzice” (risos), espontaneidade e coragem que me fortaleceu muito.

Eu era muito tímida quando menina. Ainda tenho essa timidez, mas ela some no palco – até porque não daria para ser uma artista que sobe no palco com o microfone na mão e fica lá… (risos); não daria para fazer uma serenata – que é até pior do que show nesse sentido, pois para o artista, quanto mais gente melhor! É muito difícil ir até a casa de alguém, entrar e ter duas ou três pessoas apenas – e cantar olhando para uma só, sem a proteção do palco, da banda, do microfone… Todas essas máscaras que o artista pode usar não existem ali. Fiz isso por quase dez anos, dos nove aos dezoito!

Tudo isso terminou me deixando mais forte para subir ao palco, ter mais jogo de cintura. Lá nos Trovadores não existia problema: em tudo a gente dava um jeito. Olhar para o músico (o que fortaleceu a ligação com quem está tocando com a gente); abrir voz, que é algo super difícil – e eu lembro quando eu era criança e eu olhava meus tios abrindo aquelas vozes, e eu pensava “mãe, me ensina!”. Enfim, fui crescendo ali nos Trovadores e lidando com esses contratempos.

Assim como também existe a mesma situação e essa mesma força numa roda de choro, e que “meu vô” fazia desde que eu era menina. De repente eu queria entrar ali, na roda; queria cantar também! Lembro exatamente da primeira vez em que eu resolvi cantar ali e pedi para entrar, no meio da roda: foi aquele furor de estar com vergonha e ao mesmo tempo estar ali… Aqueles violonistas, músicos com décadas de experiências, me elogiando, me fez entrar nesse universo e, enfim… Tudo isso contribuiu para me enriquecer hoje.

O diferencial que me veio dessa formação é que hoje, ao estar sobre o palco, tento olhar para cada um; ter uma relação muito próxima com o público, seja pelo Twitter, Orkut, blog… Essa coisa aberta mesmo. E talvez isso seja raro em nossos artistas…

Marcelo: De fato, é raro…

Bruna: Na serenata, o maior “prêmio” que o trovador pode ter é fazer a pessoa chorar (risos). Esse choro, para mim, é válido: quanto mais pessoas vierem me falar “Olha, eu chorei naquela música”, mais feliz eu estarei, melhor eu terei cumprido o meu papel.

Marcelo: E entre a sua saída dos Trovadores e a indicação para o Otávio Toledo, o que aconteceu de importante?

Bruna: Ah, outras cantorias. Desde que entrei na parte adulta dos Trovadores, já sabia que queria ser cantora solo. E até nesse sentido foi uma experiência bacana, não apenas por ter que decorar muitas músicas, mas porque cantávamos pout-pourri – e aquilo já me incomodava, porque como eu queria dar o melhor de mim em cada música, se passávamos por uma música mais emocionante, eu precisava me recuperar antes de começar a próxima. Vi que não poderia trabalhar assim para sempre, que precisava ser uma cantora solo, para poder cantar e dar o melhor de mim em cada música.

Tive muitas bandas na escola, um trio em que eu cantava, com um amigo no violão e outro no sax – e que hoje virou uma formação maior que se chama “Pitanga e Pé de Amora” www.pitangaepedeamora.com.br (risos) – eu fiz parte da primeira leva do grupo. No cursinho para o vestibular, acabei entrando para a banda dos professores (mais risos). Onde eu estivesse, a coisa acabava virando música. Certa vez, mandaram um bilhete escrito “chama a Bruna pra cantar”. E foi aquela algazarra, né? O povo batendo na cadeira e dizendo “canta, canta, canta”! Resultado: virou uma farra, porque todo dia, no cursinho, eu ia a várias salas cantar, em várias matérias (risos)!

Marcelo: Você pensou em fazer Arquitetura e também Psicologia. Por quê?

Bruna: Ah, no fundo eu não queria admitir que o que eu ia fazer era música. Não sabia se “valia à pena fazer uma faculdade daquilo”. Mas, ao mesmo tempo, já sabia o que queria fazer da vida. Então, para não admitir eu pensava: “Ah, não. Vou fazer outra faculdade e continuo cantando”. Mas, no meio do caminho, pensei: “Quer saber? Se eu fizer outra faculdade eu vou largar no meio”. Busquei as faculdades que tinham mais ou menos essa área: canto, licenciatura em música, e descobri esse curso de Educação Musical – que, na verdade, quando eu prestei o vestibular era “Educação Artística”.

Isso porque queria ter contato com as outras artes, não queria só fazer música. Queria trabalhar com música, artes cênicas, artes visuais, todas essas coisas. Mas assim que passei no vestibular, em 5º lugar [e aqui Bruna sorri e dá aquele olhar de quem diz “Viu só? Quinto lugar!”], o currículo mudou e virou Educação Musical desde o começo. Então eu já entrei fazendo o curso de música – e que não era exatamente o que eu pretendia fazer – mas foi um jeito de unir áreas que me interessam, como a Pedagogia. Adoro criança, e penso em fazer um trabalho nesse sentido, cantar para crianças… Já me formo esse ano e, embora não saiba exatamente como vou usar o que aprendi, com certeza é uma experiência válida.

Tive também outra banda, composta em parte por músicos que vinham de fora do país e que estavam de férias. Era uma banda “tipo a da Elis” (risos), segundo o cara que me ligou e aí ele perguntou:

– Você quer?

– Quero! (risos)

– Olha, a gente não tem nome pro grupo, você se incomoda se for “Bruna Caram e Grupo”?

Respondi que não, que eles é que teriam de se incomodar, se fosse o caso. Tocamos por dois meses, no meio do ano, no Blém Blém, aqui em São Paulo. Isso me marcou muito porque eram músicos maravilhosos, de fora, e ainda escolheram meu nome para ficar na frente do deles (risos).

Marcelo: Desde quando você está em São Paulo?

Bruna: Eu nasci em Avaré, mas sempre morei aqui. Meu avô é médico e ele que fez os partos da família inteira. Acho que de 90% da cidade, o parto quem fez foi ele (risos). Só que eu nasci de sete meses, não deu tempo dele chegar e quem fez foi a minha avó… Talvez por isso [a afinidade], não é? (risos)

Marcelo: Os seus dois discos são muito bons. Mas você observou algumas vezes que, no segundo, ele saiu mais do seu jeito. Quando você entrou no projeto do “Essa Menina”, já pensava em fazer o que fez no “Feriado Pessoal”, ou ele ainda reflete uma Bruna mais ligada a um tempo passado?

Bruna: Na verdade, o primeiro CD não está relacionado com aquilo que eu fazia antes. Aquele primeiro CD já foi uma ruptura.

Marcelo: Não falo em relação aos Trovadores, mas em relação ao que você já vinha querendo fazer em termos de carreira.

2006BrunaCaramBruna: Eu não tinha o menor plano de gravar um disco, na época em que o Otávio me convidou – e nem sabia como funcionava a produção de um disco. Simplesmente, um compositor me conheceu, me entregou músicas todas inéditas dele e me falou “Olha, me liga se você gostar”. Foi por causa de uma música, que é “Sensação”, que eu resolvi gravar o disco. Eu disse “Olha, as outras eu não sei, mas essa música é minha!”.

Marcelo: E é a música mais minimalista do disco…

Bruna: … e a primeira que gravei. Ali, no caso, tem um compositor só, com a obra dele, com um produtor que ele já tinha escolhido – mas com quem eu me dei muito bem, que é o Alexandre Fontanetti. Tanto que ele produziu o meu segundo disco. Tudo isso também interferia no resultado: era a minha parte, a parte “Otávio”, a parte “Fontanetti”… Mas fiz questão de participar de tudo, de maneira que o disco saísse com a minha cara.

Mas essa cara que saiu não foi a que se previa: as pessoas me conheciam cantando samba antigo, com o meu avô; o Trovadores Urbanos é um grupo de resgate, etc. Não era nada assim “pop”, como foi. E o resultado foi que eu me descobri num gênero que eu não sabia que combinava comigo.

Marcelo: Então você não pensava em fazer exatamente esse segmento…

Bruna: … eu pensava “MPB”. Mas “MPB” é um leque. Eu não tinha essa preocupação de pensar em um nicho, ou um nome para o gênero que eu queria gravar. Simplesmente ouvi as músicas, falei “gosto”, adorei o resultado… E também nem acreditava que eu já estava ali, com meu disco…

Marcelo: E qual a reação ao ver o disco pronto?

Bruno: Ai, chorei sem parar! Hahahahahaha! Escutava e chorava! No segundo disco, eu abria um a cada cinco minutos: tirava da caixa, abria… (risos). Mas foi só no segundo disco que vim criar um projeto inteiro, pensar o que eu queria naquele momento. Mas não digo “meu gênero é ‘tal’ e pronto”. Se amanhã ou depois eu quiser gravar um disco de rock ou de valsa, para mim não tem problema nenhum. O importante é seguir a minha identidade, só.

Marcelo: Em uma das suas entrevistas, você colocou uma frase que me é interessante, dizendo que gosta mais de gravar autoral, pois é uma garantia de que, se as pessoas conhecem aquilo ali, só pode ter sido através de sua voz. Qual a sensação de levar algo novo para as pessoas?

Bruna: É a sensação de fazer a diferença. De entregar uma coisa que as pessoas estão procurando de fato. Quando ouço na rádio uma cantora, cantor ou um grupo, enfim, cantando algo que já conheço e a gravação não me chama a atenção, eu nem quero saber o nome da pessoa. Nem paro para ouvir. A música termina permanecendo maior do que a versão.

O mais bacana de tudo é a pessoa parar e dizer “Nossa, que é isso? Como é o nome dessa artista?”, sabe? Esperar no rádio para ouvir o nome, a expectativa do “quem será?”. E meu trabalho começou muito assim. No primeiro disco, eu recebia muitos emails do tipo: “Ouvi na rádio, fui procurar e não achei, ouvi mais e não achei…”. No início não tinha uma produção como tem hoje, um site, etc. Foi boca a boca que as coisas foram crescendo – e se foi crescendo é porque algum diferencial foi visto pelas pessoas.

Nas primeiras vezes que cantaram junto comigo “Palavras do Coração” foi um negócio… Certa vez estávamos eu e o Otávio lá na FNAC e ele pediu para o cara colocar o disco para tocar. Daí começou e a gente ficou assim, no cantinho, vendo as pessoas mexerem nas prateleiras e cantarolarem baixinho a música (risos). Daí ele falou “Tá vendo? O povo sabe cantar. E se eles estão sabendo cantar, é porque ouviram você”. Isso é a glória, assim como também é ótimo levar o nome de um amigo, cuja música escutei em casa, para o Brasil inteiro conhecer. É demais… É muito mais significativo que pegar uma música já conhecida – que também é legal, também é emocionante – e dar uma cara nova.

Ter essa ferramenta de contatos e amigos que te entregam músicas e te dão de bandeja essa oportunidade de criar junto: isso não tem nome…

Marcelo: Como é que seu disco chegou lá no Japão?

Bruna: Através da minha gravadora, a Dabliú. Eles conseguiram um contato, mandaram o disco, a JVC gostou e se tornou a “minha gravadora” lá. Lançou meu disco, tocou nas rádios, teve show aqui em São Paulo em que tinha gente de lá, e tal. Recados pelo MySpace… Não aconteceu ainda de eu ir para lá, ainda não tive esse privilégio. Mas se Deus quiser, iremos! (risos).

Marcelo: O que te chama atenção em uma canção?

Bruna: A letra. Só a letra (risos). Até já falei sobre isso uma vez. Se a música for repetitiva, a melodia for “ok”, se tudo for mediano e a letra for maravilhosa, eu pego. Se a melodia for maravilhosa, a harmonia for incrível, for tudo genial e a letra for ruim… Já era. Eu tenho uma relação com a letra que é de unha e carne: por mim eu “falaria” a música, em alguns momentos. No show “Piano e Voz” – que é um show novo que a gente lançou mês passado, em São Paulo – tinha textos também.

A música, para mim, é o texto cantado. A melodia é importante, é essencial, mas está em função do que a letra tem a dizer. Todo o trabalho de interpretação, de expressão, de teatro de um ensaio mesmo de canto, é para poder dar a intenção certa a cada letra. Se eu estiver me matando para a nota sair daquele jeito, é porque a letra me pediu. Senão, bastaria fazer um “aaa” fraquinho e pronto (risos).

Marcelo: Então você gosta de saraus…

Bruna: Gooooosto! Hahahahahaha!

Marcelo: Já que você tocou no assunto, no seu blog você conta quando estava na aula de balé e uma professora da escola usa uma música sua para uma coreografia. E você disse mais cedo que gosta de trazer coisas novas para as pessoas. Então eu pergunto: porquê reler aqueles artistas; e qual a sensação de ser relida em movimentos?

Bruna: Uau… Duas perguntas bem diferentes! Primeiro, de reler os grandes compositores. Na verdade, as músicas acabam nos escolhendo e não tem jeito. Já disse que prefiro gravar canções de pessoas desconhecidas ou canções pouco conhecidas, mas no “Feriado Pessoal” a primeira coisa que escolhi foi quais seriam as regravações. “Quem sabe isso quer dizer amor”, que inclusive abre o disco, era uma música que estava em todas as minhas listas que eu já vinha fazendo há meses, para um possível próximo disco! Eu tinha papéis e papéis que eram sempre uma lista riscada e “Quem sabe isso quer dizer amor” destacada em algum ponto.

Depois veio o Costa Neto, que é o letrista, inclusive, de “Palavras do Coração”, e me mostrou a gravação do Guilherme Arantes de “Cuide-se bem”, que tinha uma relação com “Palavras do Coração”, porque brincava com aquilo do “sorriso largo” – que virou até um mote no primeiro disco. Como a gravação do Guilherme era muito antiga, resolvi tentar gravá-la de novo, porque imaginei que um adolescente de hoje que a ouvisse provavelmente ia falar “ai, que chaaato” ou “ai, que feeio..” e falar isso de uma música tão linda… Além disso, não tinha nenhuma outra gravação dela.

Já “Gatas Extraordinárias” veio por último. É uma música que eu cantava desde 2006, na banda de que te falei, era um grande sucesso – e meus amigos sempre diziam “Olha, você vai gravar ‘Gatas Extraordinárias’, né?”.

Marcelo: E “Canário do Reino” terminou não entrando…

Bruna: Pois então: tentamos gravar essa. Gravamos no estúdio, para estudo, todo mundo ao vivo, e não gostamos do resultado. Foi justamente aí que veio “Gatas Extraordinárias”, porque precisava achar uma música que fosse tão boa, tão animada e dançante, e que combinasse com o disco. Aí lembrei dela…

Marcelo: E ser relida?

Bruna: Ser relida é IN-CRÍ-VEL! Essa história que você contou, da dança, é interessante porque é ser relida em outra área, outra linguagem. Eu simplesmente estava dançando, na minha aula de balé, e tive a sensação – a sensação – de que eu estava ouvindo alguma coisa familiar. Estava lá, dançando e falei “Nossa, que estranho… Tem alguma coisa familiar…” (risos). Parei e a minha professora até ficou assim meio que sem entender. Fui até a janela e olhei para a sala de baixo: estava a música tocando e todos dando tchau pra mim (risos)!

Mas nem vi a dança pronta: eu só vi a Tati ensinando os passos. Ela falou depois que ama essa música e chora toda vez que ouve, e que quer dançar com essa música até o fim deste ano, nem que seja um solo! Nossa… Acho que quando eu vir isso… Eu vou morrer! Não é só por ser relida, mas porque são duas paixões minhas – a dança e o canto. Claro que o canto vem em primeiro lugar, mas a literatura e todas as artes, para mim, têm uma coisa muito forte. Até desenhar, que é algo em que nem tenho mais prática, mas que amava quando era menina, faz parte de mim de alguma maneira.

Então ver alguém dançar uma música minha, que eu gravei sozinha, e que eu lembro do dia em que o Dani Black me mostrou a música, que eu pedi a ele e ele não me deu! – e só foi me dar no dia em que a gente cantou junto na casa do Pedro Altério (um outro compositor) – eu tenho até gravação disso até hoje, todo mundo dizendo “nooossa, maaano” (risos) – e no final ele falou “E aí? Qual que você vai gravar minha?”. Eu falei “Eu quero essa, Danieeel, por favor!” e ele falou “É tua, tá!” (risos). Tudo isso vem à tona quando se é relida.

Já aconteceu também de outros amigos cantarem uma música minha em um show. Já cantei com a Trupe Chá de Boldo (http://trupechadeboldo.com/), que é um grupo aqui de São Paulo, também de amigos meus, e que chamei para gravar um clipe comigo – vê lá, é no www.musicadebolso.com.br, que é um site que faz clipes em lugares inusitados com o som ao vivo mesmo e sem corte, sem nada, coisas de brincadeira. Eu resolvi gravar numa loja de fantasias um frevo que eu fiz. E a Trupe Chá de Boldo é uma banda carnavalesca, de certa forma…

Marcelo: Você gosta muito de Recife, não é?

Bruna: Apaixonada… (risos)

Marcelo: Por qual motivo?

Bruna: Porque eu fui para lá alguns anos e me encantei de tal jeito que eu vou pelo menos uma vez por ano.  Fui esse ano, no Carnaval, uma semana antes e saí no meio do Carnaval para curtir… É como a minha segunda cidade, como se eu tivesse nascido lá.

Marcelo: Recife e São Paulo contrastam bastante…

Bruna: Acho que é por isso que eu gosto de lá… (risos) Eu gosto de São Paulo porque é a minha casa. Se não morasse aqui, talvez eu não gostasse.

Marcelo: O que é que tem de São Paulo na sua música?

Bruna: Minha música é urbana, não tem jeito. A maioria dos compositores que gravei é daqui; meus encontros com eles são aqui… Meu ambiente musical é São Paulo, e eu fiz esse disco pensando na pessoa que vai estar no carro, ouvindo no meio do trânsito. Até “Fim de Tarde”, que eu comentei com você, o que eu mais gostei da música é que muita gente vai se identificar com isso: vai estar no carro, na hora do rush, indo encontrar alguém! Isso é pensando em São Paulo… Não sei se em todos os lugares alguém vai estar no trânsito, e tal… De repente “Caminho pro Interior” seja mais a cara de outros, mas o que me falou mais alto foi tudo isso. A capa do disco é no alto do Copan… Eu tenho um amor por São Paulo como se tem amor pela sua casa: você xinga, briga e fala… – mas ama.

Marcelo: Nesse mesmo texto do blog você vai adiante e fala sobre a arte ser universal. Tem outro texto em que você fala que o ponto não é ser uma artista de música brasileira, porque a música é universal.  Em sua opinião, de onde vem essa arte? Onde está esse dínamo?

Bruna: Acho que a arte existe desde que existe o Homem. Desde as mais primitivas, qualquer comunidade humana expressa algum tipo de arte. Estou lendo um livro chamado “A necessidade da arte” – e eu a considero não apenas necessária, mas uma questão de sobrevivência. É necessário criar, ser útil. Não se vive sem música, sem dança; e quanto mais primitiva é a sociedade em questão, parece que mais arte tem. Índios: cantavam, dançavam, escreviam da maneira deles, desenhavam… Todos! Não tinha um grupo que não manifestasse isso.

Hoje a gente divide entre “o músico de verdade”, “o músico profissional”, ou “o músico de brincadeira”, mas todo mundo canta no chuveiro (risos). Aposto que se você for ao interior do interior de lá de longe, ao chegar lá, vai ver que eles cantam, que têm alguma vivência cultural. É arte, de qualquer maneira…

Marcelo: Através do seu blog, você tem o costume de homenagear os recém-nascidos da família.

Bruna: Hahahahahaha! É sim!

Marcelo: Além disso, tem o fato de você gostar de trazer coisas novas para as pessoas. O primeiro disco abre com uma vinheta de “Amanheceu”…

Bruna: … que eu pedi por isso: para ser uma abertura…

Marcelo: … e tem algumas outras canções, como “Alquimia”, em que você fala sobre revolução. Qual a sua relação com a transformação?

Bruna: Eu acredito em uma revolução silenciosa. Tem uma frase do Guimarães Rosa – sempre o Guimarães Rosa, para mim – que é: “Tudo o que muda a vida, vem quieto, no escuro. Sem preparos de avisar”.  Acho que meu objetivo com a minha arte, bem no fundo, é fazer com que as pessoas sejam mais musicais; que as crianças tenham a mesma infância musical que eu tive; que elas possam brincar de música e que as mães cantem pros seus filhos. Que o público queira escolher melhor o que escuta, que preste mais atenção e que não aceite qualquer coisa. Que procure entender melhor; que mesmo que não queira ser artista ou especialista, mas que saiba o que é que está ouvindo e porquê. E se vai indicar para outra pessoa, que saiba o motivo; que reflita sobre o que lhe encantou naquele cantor ou naquela banda, ou naquele livro, enfim. Que exista uma reflexão sobre a arte e que, por essa reflexão, ela volte a fazer parte do cotidiano com mais força e com mais consciência, principalmente. Pode parecer pretensioso… Mas é um sonho, e não uma pretensão.

Marcelo: De qualquer modo, ninguém transforma ninguém…

Bruna: … mas a arte tem essa força.

Marcelo: Então o seu papel seria oferecer material para isso…

Bruna: É. Considero que não importa o tipo de música que a pessoa goste, ou que ela escute. As pessoas são inteligentes – e não burras. Quando colocadas em contato com uma coisa rica, elas sempre saberão que aquilo é rico. Não tem problema se você quer ouvir sertanejo, funk do morro ou qualquer outra coisa, desde que você conheça mais que isso. É preciso respeitar o gosto da pessoa, porque aquilo faz parte da vida dela – e se a trilha sonora da minha vida for um tipo de música que você acha ruim (coisa que não existe)? Então, a questão é conhecer, para poder escolher.

Quando as pessoas não têm chance de conhecer é que surge a ignorância; é esse fechamento… Se ao menos eu provocar uma abertura… O meu maior triunfo é quando eu recebo um email de alguém dizendo “Olha, eu gosto de rock’n roll, mas eu gosto da sua música”, ou “eu gosto de punk rock, mas eu adorei sua música”, ou “eu não gosto de MPB, mas eu adorei sua música”. Isso, para mim, já é uma revolução, mesmo que pequenina, mas que eu fiz dentro de uma pessoa que se abriu.

Marcelo: Você fala de ter acesso à informação e manifestar sua arte. O que você gosta de ler?

Bruna: Gosto principalmente de literatura – e nacional. Hoje tento me abrir um pouco mais, porque passei por uma fase bem patriótica, em que não ouvia música de fora – e hoje em dia isso mudou completamente, mas me esforcei para mudar. Parei pra pensar e poxa, que vergonha! Uma cantora ficar nessa de “Ah, eu só conheço MPB”, ou “conheço todas as décadas, mas só do Brasil”? Não.

Marcelo: E não condiz com aquele pensamento de ser universal, não é?

Bruna: De jeito nenhum! Na época de escola eu me envergonhava por não conhecer as coisas. Então, hoje tudo o que eu ouço sobre música, eu dou um jeito para conseguir conhecer. Já na área da literatura, também tento mudar um pouco, mas faltam referenciais. Eu leio um autor e acabo buscando mais coisas dele, e tal. Mas aqui do Brasil, os autores que eu mais li foram Guimarães Rosa e Machado de Assis.

Marcelo: Do que já leu, quais as idéias mais fortes e que permanecem até hoje?

Bruna: A questão é que em ambos – Machado de Assis e Guimarães Rosa –, o enredo nunca me interessou. O que me interessa é a poesia com que eles falam. Como aprendiz de escritora, entender de que maneira eles contam a coisa mais simples de um jeito incrível. Vejo que, quando eu leio um livro, mudo a minha maneira de escrever. Então tento equilibrar essas leituras. Se estou lendo muito Guimarães Rosa, ou se acabei de ler, procuro ir para o outro lado. Por exemplo, acabei de ler a biografia da Carmem Miranda – e não leria outra biografia nem que me matassem, agora (risos). Tem que ser outra coisa, para balancear um pouco essas influências. O que mais me encanta em Machado de Assis e Guimarães Rosa é o fato de um ser mais poeta e o outro, prosa. Por isso me interessam ambos: porque me transformam de maneiras diferentes.

Marcelo: Já leu Castro Alves?

Bruna: Li, na época de escola, aquela mais famosa…

Marcelo: “Navio Negreiro”

Bruna: É!

Marcelo: O que achou?

Bruna: Amei de paixão, chorava muito… (risos) Eu era daquelas alunas “nerds do bem”, sabe? Gostava de fazer tudo certinho: eu lia em casa, chorava, me acabava e quando chegava na aula, a aula era normal… Eu ficava uma fera! “Como é que pode?! Eu nem vou falar o que eu achei!?”

Marcelo: Você gosta de Pedagogia e se frustrava com as aulas…

Bruna: Até hoje, viu?

Marcelo: Dentro da sala, a arte pode influenciar mais do que vem influenciando?

Bruna: Claro. Porque a arte traz um elemento que é exatamente o que está faltando: essa paixão, esse encantamento. Em geral, o professor passa o conteúdo, mas não passa a paixão junto. Lembro de aulas às quais assisti e fico pensando “Poxa, mas se o professor tivesse falado mais ‘assim’, eu teria prestado atenção e teria visto que isso ia ser importante pra mim!”. Se alguém ensina algo, tem que ser porque gosta…

Marcelo: Já leu algo sobre Pestalozzi?

Bruna: Não.

Marcelo: Ele fala sobre aproveitar o que aquele Ser já traz em si, de aproveitar as suas tendências. Afinal, ninguém vem “liso”…

Bruna: Com certeza. Ninguém vem “em branco”… Ninguém.

Marcelo: Voltando um pouco: o que ficou de aprendizado da turnê do primeiro disco?

Bruna: Nossa, é tanta coisa… No meio da turnê eu chamei um diretor para me ajudar. Ele escreveu um roteiro para mim – e aquilo mudou o show de uma forma absurda: bastou, em um dia, ele fazer o roteiro, que o resultado foi impressionante. Quando acabou a primeira turnê e eu gravei o “Feriado Pessoal”, chamei uma nova diretora para trabalhar comigo e é uma coisa que ficou: eu nunca vou deixar de ter alguma direção no meu show.

bruna_caram_feriado_pessoalNesse disco novo, por causa da experiência com o “Essa Menina”, chamei uma diretora de teatro, que é a Cris Ferri, e passei a fazer aula de teatro, expressão corporal, mais balé, sapateado, e ainda aula de canto… (risos). O que ficou foi essa vontade de procurar mais maneiras de dar ao público o que ele merece. Eu poderia ficar naquilo do “cantar e as músicas serem boas, ok”. Poderia apenas investir em cantar cada vez melhor e não me preocupar com todo o resto. Mas não dá; é preciso procurar outros caminhos: é onde isso vira um grande filme.

Marcelo: O que faz com que o segundo disco tenha mais a sua cara?

Bruna: Primeiro de tudo, o fato óbvio de eu ter escrito o projeto. Depois, porque tive todas as músicas do mundo para escolher, mas tive de ir atrás de cada compositor, o que foi um aprendizado e uma experiência muito bacanas. Esse trabalho de ligar, pedir uma música, e o cara ir vários dias na sua casa para mostrar uma música e outra… Tem uma música minha no disco!

Marcelo: Que não é a sua primeira composição…

Bruna: Não, não é. Mas é um lado que até hoje eu mesma não admito muito. E isso meio que abriu minha cabeça: ao ver que as pessoas gostam dessa música, fica aquilo de: “Será que eu deveria compor mais do que isso?” Estou me aventurando mais…

Sempre tive uma vontade de trabalhar forte o meu lado intérprete. Só disso estar acontecendo agora, já faz o disco novo ter mais a aminha cara. A banda, a equipe, tudo: eu tive de montar uma equipe inteira, pois não tinha essa equipe no primeiro disco. Foi no “Feriado Pessoal” que aconteceu essa definição mesmo: quem será empresário; quem será produção; assessoria de imprensa; gravadora… Definir quem vai produzir o disco, e quem vai para a estrada…

Fiquei tão feliz quando você falou, pelo Twitter, que a equipe da Perfexx me representava super bem, sabe? Porque é muito difícil! Mudei várias vezes de empresário, de produtor, de banda – de tudo. Isso não é pra ser condenado: é difícil saber quem vai estar do seu lado, ajudando; confiar e acompanhar de perto para ver o que está acontecendo. Pode-se dizer que, nesse segundo disco, é uma artista com mais substância, com mais consistência.

Marcelo: Temos pouco tempo e já fomos por tantos assuntos que eu preciso voltar para o roteiro pra gente continuar…

Bruna: É porque essa entrevista está boa (risos)!

Marcelo: Como você não gostaria de ser rotulada?

Bruna: Estava pensando nisso hoje mesmo. Eu uso essas aparições, entrevistas e reportagens como uma escola: se sai algo de que eu não gostei, revejo e me pergunto se realmente deveria ter dito aquilo daquele modo. Hoje, já tenho alguns cuidados em deixar claro o que digo. Desde que algo seja dito de uma maneira carinhosa e respeitosa, não há problema.

Marcelo: Hoje você usa melhor a tecnologia, não é? Redes sociais…

Bruna: Olha, eu aprendi porque é necessário. Mas é difícil para mim. Hoje foi a primeira vez que eu mandei um email para todo o mailing sem sofrer (risos)! Porque a questão é que eu não sei mexer nas coisas direito – tenho dificuldade mesmo.

Marcelo: Da maneira como os arranjos são feitos e as músicas são gravadas, dá para perceber que você valoriza muito mais o instrumento real, em detrimento de recursos eletrônicos, usando-os apenas em instantes do disco. De onde vem essa preocupação?

Bruna: Vem do meu avô. Meu avô Jamil é um homem de oitenta e tantos anos que toca violão de sete cordas. Quando está tocando e alguém fala, ele bate forte o copo na mesa e grita “cala a boca”! Hahahahahahaha! A atenção que ele exige para se ouvir um instrumento é algo de que eu não posso abrir mão: dessa coisa humana. Eu acho tão lindo o meu avô batendo o copo na mesa e esbravejando contra todo mundo, sabe?

Além disso, não gosto de música eletrônica, essa é a realidade. No meu disco tem algumas coisas, mas é muito pouquinho. Tem também a energia musical da pessoa, que nunca virá pelo computador, não é? O que tem lá, no meu disco, tem certa energia, porque foi feito comigo. A gente se divertia ali no estúdio, na mixagem, criando isso; tem um trabalho humano ali – uma sintonia que fica registrada até o fim. Mas gosto mesmo do silêncio. Então, preciso valorizar cada instrumento e cada pessoa…

Marcelo: Você gosta de “Lost”, não é?

Bruna: APAIXONAAADAAAA!!! Hahahahahahah! Hoje vai até dar tempo de assistir!

Marcelo: E semana que vem, acaba.

Bruna: Ai, semana que vem acaba! Vou fazer pipoca em casa, alguma coisa. Nossa, vou fazer a maior festa! Hahahahahaha!

Marcelo: Para concluir: o que te acalma quando você está “daquele jeito”?

Bruna: Algumas coisas: escrever me acalma muito. Alongar, por conta do balé, que tem muito de alongamento. No carro, especialmente, que é o lugar mais estressante do mundo para mim, tem algumas trilhas sonoras que me salvam. Uma é colocar na Cultura FM, que toca música erudita (que eu amo); outro é o Lokua Kanza, que é um africano incrível e que eu amo de desmaiar. Em geral, músicas africanas, porque tem muitas vozes, é percussão e voz, é algo bem interessante…

Marcelo: Conhece Dave Matthews?

Bruna: Conheço! Ele é animal! Hahahahaha! Além disso, tricotar! Eu mesma estou tricotando as minhas próprias polainas. Mas é mais ler e escrever, a minha maneira de relaxar. Porque aí eu choro e tal, e fica tudo lá…

Marcelo: Qual a sensação de cair da Teia?

Bruna: É ótima! Hahahahaha!!! É ótima, adorei!

————————————————-

E Bruna riu mais; soltou gargalhadas…

6 Comentários »

  • Emanuele disse:

    Eu gostaria de, publicamente, parabenizar Marcelo pelo trabalho.
    Sua fluência ousadamente jornalística (ele sabe do que estou falando, porque é meu colega profissional), sua capacidade reconhecidamente maravilhosa em estudar, aprofundar, enxergar além do que está a olho nu… tudo para enriquercer-se e destrinchar o óbvio em microparticulas encantadoras! Que estudo Maravilhoso, Marcelo!!! Gostaria de perguntar quando fez isso, mas sei que também isso é arte e não deve ser explicada mais do que vivenciada ou, no máximo, representada historica e ricamente ao lado da vida. Como nesta entrevista. Se existir perfeição em comunicação, foi tudo perfeito. Incluindo transcrição e edição!

    Parabéns ao Teia também!
    :)

  • Roberta disse:

    Marcelo, realmente vc esta de parabéns!!precisamos de música de qualidade e sem dúvida a Bruna é uma revelação de exelente qualidade. Pecerbemos isto, principalmente, quando ela diz: “Até já falei sobre isso uma vez. Se a música for repetitiva, a melodia for “ok”, se tudo for mediano e a letra for maravilhosa, eu pego. Se a melodia for maravilhosa, a harmonia for incrível, for tudo genial e a letra for ruim… Já era”

  • Didier disse:

    Muito mais que uma ótima entrevista, que belo e prazeiroso encontro de almas sensíveis!
    Bruna revela, mais uma vez, ao interagir “na teia” com o Marcelo, esta natural e rara habilidade que tem de fazer o ser humano se sobrepor ao artista. A pujança deste seu talento especialíssimo, pessoalmente, pude identificar na sua gravação de “Quem sabe isso quer dizer amor”, do Lô e do Márcio Borges.
    O prazer e a naturalidade com os quais ela encanta esta canção, já iluminada, é algo que beira o sublime.
    Sem nenhum esforço a Bruna foge dos “estereótipos artísticos” e assume-se como gente, inteira em cada palavra que transforma em poesia com sua voz e seu jeito únicos.
    Marcelo transforma o ofício de portar e reportar perguntas necessárias à matéria, no desaguar espiritual de rios caudalosos de conteúdo e absolutamente deliciosos de se mergulhar.
    Resultado: um papo sincero, solto, sem maquiagens, que faz da entrevista uma leitura prazeirosa, com o mesmo poder de “transformar ribeirão em braço de mar”.
    Feliz de quem caiu nesta teia. Parabéns Bruna. Parabéns Marcelo!
    Sem nenhuma pretensão, vocês transformaram entrevista em SHOW!
    Valeu!

  • cristiane disse:

    Marcelo,você está muito bem como jornalista e se apresenta de forma diferenciada a maioria que se vê hoje. Soube recriar com inteligência questões que envolveram a entrevista. Trouxe um bom texto com requinte de clássico. Parabéns!

  • Thífani Postali disse:

    Marcelo,
    Obrigada por nos apresentar a Bruna em seu profissionalismo e essência.
    Meus parabéns!

  • Renata disse:

    Nossa adorei a entrevista, ultimamente eu tenho lido e relido tudo que sai sobre a Bruna Caram, e essa me saiu muito natural, eu até cheguei a imaginar você fazendo as perguntas e a Bruna respondendo, com risos largos sinceros.
    Ela já disse que sabe o que é ser fã, e ainda bem está sempre dando as caras, aparecendo e se aproximando do público, dos fãs, a Bruna é diferente e seu trabalho com ela só exaltou isso, parabéns Marcelo .. eu amei de verdade.!

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